Coleção em Ação Show - Transformers vs. Mutante e Convert

Coleção em Ação Show relembra a batalha brasileira dos brinquedos dos Transformers contra os Mutante e Convert, localizações não oficiais do GoBots produzidas pela Glasslite e Mimo durante os anos 80. Uma história que só poderia ter acontecido aqui!

Adicionado a 8 de janeiro de 2026 Valewson Vídeos Descrição completa

Descrição completa

Neste vídeo do canal Coleção em Ação Show, onde foi publicado originalmente em 9 de março de 2025, Teily Fábio relembra a batalha brasileira dos brinquedos dos Transformers — a emblemática e longeva franquia da Hasbro —, contra os Mutante e Convert, localizações não oficiais, pra não dizer picaretas, da linha de brinquedos GoBots produzidas pela nossa inesquecível Glasslite e Mimo, respectivamente.

O que temos aqui é um verdadeiro trabalho investigativo sobre uma das disputas mais curiosas — e genuinamente brasileiras — da história dos brinquedos nos anos 1980. O vídeo cobre bastidores industriais, licenças nebulosas, adaptações criativas e, em alguns casos, pura picaretagem institucionalizada, algo bastante comum no Brasil pré-globalização. E é tudo muito agradável e nostálgico, daquele jeitão!

A chegada dos Transformers e o domínio da Estrela

Os Transformers desembarcaram no Brasil com força total, o que foi marcado com o clássico desenho animado da G1, que estreou em 6 de julho de 1986, na programação da Rede Globo, inicialmente em dobradinha com Comandos em Ação. Com exibições no Show da Xuxa e na Sessão Aventura, a franquia rapidamente se tornou um fenômeno.

Antes mesmo da animação, a Estrela já havia colocado os brinquedos no mercado nacional, em maio de 1985, graças a um contrato formal com a Hasbro. Ainda que a linha brazuca fosse limitada — sem figuras grandes como o Optimus Prime —, os pequenos robôs transformáveis já capturavam a imaginação da criançada. Todo mundo daqueles tempos deve lembrar do Bumblebee, que vinha como um fusquinha amarelinho.

Curiosamente, a Estrela adotou um logotipo próprio, diferente do padrão americano, e terceirizou parte da produção para a Argentina. Mesmo assim, tudo indica que, ao menos no caso dos Transformers, o processo seguiu dentro de um acordo oficial, ainda que adaptado à realidade tupiniquim.

Gibis, nomes trocados e a confusão generalizada

Entre novembro de 1985 e outubro de 1986, os quadrinhos dos Transformers chegaram ao Brasil pela Editora Rio Gráfica (RGE), baseados no material da Marvel. Apesar da grande qualidade técnica, a adaptação dos nomes nestas HQs beirava o surreal: Bumblebee virou Furão, Optimus Prime se transformou em Supremo Absoluto, Autobots e Decepticons passaram a ser chamados de Óptimos e Malignos.

Esse tipo de adaptação era comum no período, mas acabou gerando uma confusão monumental quando o desenho animado chegou mantendo os nomes originais. Ainda assim, hoje essas edições são vistas como curiosidades charmosas de um tempo em que o Brasil adaptava tudo à força.

Mutantes da Glasslite e as licenças nebulosas

Enquanto a Estrela dominava o mercado com os Transformers, a Glasslite lançava, no Natal de 1985, a linha Mutante — robôs transformáveis baseados nos GoBots, mas sem usar o nome original.

O vídeo levanta duas hipóteses para explicar essa situação:

  1. uma brecha contratual deixada pela Tonka, que não teria garantido exclusividade fora dos EUA;
  2. ou simplesmente a prática comum dos anos 80: importar brinquedos do Japão, copiar moldes e vender no Brasil sem pagar direitos. Bons tempos.

A ausência de qualquer referência à Bandai (que era e ainda é detentora dos brinquedos, mesmo com com a Tonka tendo sido comprada pela Hasbro) nas embalagens, aliada ao uso de nomes completamente genéricos, reforça a suspeita de que a Glasslite operava à margem da legalidade, aproveitando-se do protecionismo e da fragilidade da fiscalização da época.

Quando Estrela e Glasslite venderam o mesmo brinquedo

Um dos momentos mais curiosos abordados no vídeo envolve os Bat-Robôs, lançados em meados de 1985 oficialmente pela Estrela, com licença da Hasbro. Pouco depois, a Glasslite colocou nas prateleiras os Mutantes Crash-Trone, idênticos, apenas com cores diferentes.

Nesse caso específico, há indícios de que ambas as empresas tinham autorização, vindas de caminhos distintos no Japão. O resultado foi algo raríssimo: dois concorrentes diretos vendendo o mesmo brinquedo, simultaneamente, com marcas diferentes.

GoBots na TV e o fracasso diante dos Transformers

O desenho dos GoBots só chegou à televisão brasileira em 12 de janeiro de 1987, também no Show da Xuxa, mas, apesar da dublagem de alto nível e da exibição ao lado de outros sucessos da época, a série passou praticamente despercebida.

Enquanto os Transformers já eram um fenômeno consolidado, o público não associou os brinquedos da Glasslite ou da Mimo ao desenho dos GoBots, o que enfraqueceu ainda mais a marca. Mesmo o longa animado GoBots: Battle of the Rock Lords acabou sendo apenas um rodapé nessa história.

Convert da Mimo e a duplicação dos GoBots

Antes mesmo da animação, a Mimo lançou em 1985 a linha Convert, mais uma coleção de robôs transformáveis baseada nos GoBots que, assim como os Mutantes, não traziam qualquer referência oficial à Bandai e usavam nomes genéricos.

O vídeo aponta que os moldes parecem ter sido divididos: certos robôs ficaram exclusivos da Glasslite, outros da Mimo, sem sobreposição direta. Isso levanta a hipótese de que a Glasslite teria importado os brinquedos, replicado os moldes e repassado parte deles à Mimo.

A evidência mais curiosa está nas próprias embalagens da Mimo, que exibiam fotos dos robôs com pinturas originais japonesas, incompatíveis com os brinquedos vendidos no Brasil.

O desfecho da batalha

Com a abertura do mercado e a globalização dos anos 1990, esse cenário caótico infelizmente começou a desaparecer. A Estrela, por um tempo, deixou de fabricar Transformers localmente, mas continuou importando produtos oficiais da Hasbro.

Já o nome Mutantes ressurgiu nos anos 2000 em brinquedos genéricos de baixa qualidade, encerrando de forma melancólica uma das fases mais criativas — e juridicamente complicadas — da indústria nacional de brinquedos.

No fim das contas, se houve um vencedor nessa batalha, foi a Estrela, que conseguiu manter a marca Transformers viva e relevante por décadas. Mas os Mutantes e Converts deixaram um legado único: um capítulo impossível de ser replicado fora do Brasil.


O vídeo do Coleção em Ação Show mostra que a disputa entre Transformers, Mutantes e Converts vai muito além de brinquedos, pois revela um Brasil criativo, improvisado, confuso e, ao mesmo tempo, fascinante, onde licenças se misturavam, nomes eram reinventados e a infância era moldada por aquilo que estava disponível nas prateleiras — legal ou não.

Uma história que só poderia ter acontecido aqui. Você gostou destas curiosidades e desta viagem no tempo? Nós gostamos pra caramba. Deixe seus pensamentos nos comentários e compartilhe com os amigos que também viveram aquela época caoticamente incrível!

VaLeW!

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